Só acontece comigo #48 | BEDA #27

QUATRO DIAS PRO FIM DO BEDA, EU PRECISAVA DIZER ISSO EM CAPS LOCK ANTES DE QUALQUER COISA. Obrigada.

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Então teve esse dia, dessa semana, porque eu só trabalho com conteúdo atualizado nesse blog, em que depois de algumas compras alimentícias com minha mãe no centro da cidade, fomos para o ponto de ônibus cada qual com uma sacola.

Em 19 anos de estrada, as poucas vezes que fui responsável envolveram andar sozinha, trabalhar, estudar e alimentar um peixe, coisas que até então sempre fiz muito bem. Minha querida mamãe, ciente das experiências positivas que já tive nesse quesito da vida, decidiu confiar-me a responsabilidade de cuidar de uma das sacolas de compra enquanto nosso ônibus não vinha.

Alguns minutos depois, cansada de estar em pé, no frio e carregando peso, coloquei a sacola no chão.

- Não vai esquecer da sacola, viu Tatiane? - alertou a adulta responsável por mim.

EU ESQUECER DA SACOLA?

JAMAIS.

NUNCA.

SEM POSSIBILIDADE ALGUMA.

O ônibus veio.

Minha mãe entrou.

Eu entrei. 

Sentamos. 

Cadê a sacola?



Esqueci.

¯\_(ツ)_/¯ 

Rimos muito, não tinha café pra tomar no dia seguinte.

(Ninguém que estava no ponto me avisou, as pessoas são más.)


Eu existo. | BEDA #26

Em uma parte do meu self-image de 2014 escrevi: "Eu ando pelas ruas querendo que não me notem e paro nos lugares querendo que me notem [..]", e de todas as coisas sinceras que já desabafei aqui, essa é uma das que parece nunca mudar. No ensino fundamental sofri bullying, então é normal que eu não queira ser notada, ou que me sinta um pouco menos que todas as pessoas, mas assim como em 2014, junto dessa vontade enorme de passar despercebida carrego o desejo do mesmo tamanho de ser notada. 

Durante essa semana, sentada na escada com uma amiga durante o intervalo, nossa professora de Genética passou e parou pra me abraçar e beijar, e aproveitou pra perguntar se por acaso eu ficava incomodada com as piadas que ela faz em sala de aula. Como professora de Genética, ela nos ensina a fazer cruzamentos (Aa, Bb, QUEM LEMBRA?) e ai sempre tem a brincadeira do "Estão cruzando muito?", como eu ouço essa piada desde o ano passado, acabo só dando um risinho simpático, e ela, percebendo isso, quis me perguntar se estava tudo bem. Eu sento em uma área próxima à ela? Não, não sento. Ela consegue me ver em uma sala com mais de 60 pessoas? Consegue, e se preocupa com o que eu acho da aula dela. Eu existo, eu sou notada.

Também nessa semana, em uma biblioteca, um senhor sentado em uma mesa próxima a minha perguntou se eu tinha uma caneta azul para emprestar, respondi que sim, a entreguei e continuei meus estudos. Depois de algumas horas, notando que eu estava fechando minha mochila pra ir embora, ele me perguntou:

 - Vou ficar sem a caneta, né?

Eu, vendo que ele realmente precisava dela e completamente tomada pelo espírito Amanda Palmer de conduzir a vida deixei que ele ficasse com a caneta, recebi um olhar surpreso em resposta, um muito obrigada, e um "Qual a sua graça?" que precisou de muita maturidade da minha parte pra realmente dizer meu nome ao invés de fazer uma piadinha com a expressão. Eu existo, eu sou notada.

Na semana passada senti falta da minha carteirinha estudantil na sexta à noite, esperei até essa semana pra voltar ao cursinho e quando passei pela catraca pedi para o segurança abrir o portão e expliquei o ocorrido, depois lembrei de ver com a coordenadoria se alguém tinha achado e a encontrei. No dia seguinte, quando cheguei, o mesmo segurança me perguntou se eu havia a encontrado, respondi que sim e ele contou que lembrou de dizer sobre a coordenadoria depois que eu já tinha saído. Eu existo, eu sou notada.

Sei que é ridículo pensar que as pessoas não me veem, mas pra quem sempre esteve acostumada a observar e decorar os rostos das pessoas sem nem saber seus nomes é estranho saber que eu estou aqui, sendo vista.

 

Só acontece comigo #47 | BEDA #25


Tem essa minha amiga, com quem eu divido a obsessão por músicas com letras que para nós são engraçadas, e a da vez é Não Me Toca, cujo refrão foi o tema do diálogo a seguir, então vou deixá-lo aqui para facilitar o entendimento.
Então agora não me toca,
Não quero saber de beijos, 
Não me toca,
Não quero saber de abraços,
Não me toca
Não quero saber do seu amor [2x]


- Essa música é ótima pra dedicar pra alguém, né? - comentou minha amiga.
- Quando eu namorar e tiver minha primeira briga com a pessoa vou mandar ela por mensagem com um "Pensa ai no que você fez!". - respondi com inocência.
- Até você namorar já saiu outro hit né amiga? - respondeu com muita sinceridade.

Tivemos um ataque de riso na hora? Tivemos.

Chorei em segredo naquela noite.

Apoio moral é tudo.


Small pleasures. | BEDA #24











  • Deitar no mato e olhar o céu em silêncio.
  • Chá antes de dormir.
  • Trocar a roupa de cama e dormir com cheirinho de amaciante.
  • Olhar a cidade do alto em lugares que ventam.
  • Ouvir música calma enquanto anda.
  • Ver crianças conversando sobre assuntos que pra eles são sérios.
  • Apagar com a borracha.
  • Acariciar cachorros.
  • Deitar no ombro de alguém.
  • Deixar alguém deitar no seu ombro.
  • Cafuné.
  • Olhar fotos antigas.
  • Rir por qualquer coisa.
  • Enrolar o cabelo nos dedos.
  • Nuvens.
  • Barulho de chuva.
  • Pés de bebês.
  • Risada de criança.
  • Andar na Avenida Paulista.

  • Com o BEDA chegando ao fim, menina Tatiane começa a não saber mais o que postar, mas não esquece de valorizar as pequenas coisas e transforma-las em pauta.



    Só acontece comigo #46 | BEDA #23

    Eu andando de calça skinny.gif


    Depois de um passeio com mamis poderosa, estávamos dentro do ônibus voltando para nossa residência quando notamos um grupo de pessoas com calças skinny.

    - Não consigo usar essas calças, me atrapalham a andar. - comentei com minha genitora.
    - É apertada demais, imagina a candidíase que deve dar?

    Mãe, eu te amo.